Solteirona

Amanda é uma garota normal: trabalha, estuda e se diverte. O seu único problema é ser sozinha, malvona, banqueira, “vai ficar pra titia”... Uma pega ninguém. Nem sempre foi assim, já rolaram alguns namoros de meses, mas o último deles aconteceu há uns dois anos e desde então nunca mais ocorreu nada, nem resfriado.  Mesmo que hajam bons períodos, como carnaval, verão... O problema não era beijar na boca e sim ter um relacionamento de mais de duas semanas, ter aquela intimidade, fazer coisas de casal. O subconsciente de Amanda já estava invertendo o ditado para “Sozinha sim, solteira nunca”.
Como paulada para pobre é pouco, ainda era torturante para Amanda ver suas amigas sempre com namoros longos ou com rolinhos. Coisa que ela não conseguia manter, pois os que interessavam-se por ela, não a deixavam  afim e virse versa. Não tem jeito, à grama do vizinho sempre é mais verde.
Numa tarde de sábado em uma de suas conversas no Facebook com Marina – grande amiga que namora há séculos e sempre quer arranjar os amigos do namorado – a “cúpida” faz uma proposta e a chama para um “encontro as escuras” com um amigo do seu amado, que terminou um namoro a pouco tempo, estava super carente e era um ótimo rapaz. Amanda primeiro fez parecer que a idéia era ridícula, mas depois “ascender a luz”. Foi espiar a página do garoto e o achou um gato, ela fez parecer que seria divertido, quando na verdade ela sentia que seria promissor.
Ela foi para casa da amiga às 21h conversaram e fizeram a parte burocrática (escolher roupa, maquiagem e cabelo). Marina, como boa amiga, ajudou a Amanda a fazer a produção mais sedutora. O namorado marcou às 22h, chegou às 22:20h e esperou na sala até às 22:30h. Foram para um Pub.
Chegando, apresentações entre o futuro casal feitas e clima tenso de praxe. Para evitar piadinhas do casal que já existia para, o casal que não existia, Amanda fingiu indiferença até ver que o rapaz tinha outras opções, ela resolve se aproximar e constata que ele também é legal. Era tudo que ela queria para sair da solidão e dizer “alô paixão” (da pra fazer um forró com essa rima). Eeeeeeeeeee... Se prepara para bater palmas, porque eles ficaram.
No dia seguinte ele ligou e a convidou para ir ao cinema, ela fez um charme, fingiu que não iria dar certo, mas foi. Ficaram mais uma, duas, três vezes e não ficaram mais. Era quase um rolo, se não fosse à falta de química. Amanda ficou triste porque gostava de ficar com ele e foi com tanta carência ao pote, que pensou ser o cara que a tiraria da solidão, ignorando o fato deles não terem nada em comum. Começou a suspirar pelos cantos e chorou vendo a mais boba comédia romântica e ao falar no telefone com Marina.
Amanda não sofreu de paixão e sim de vontade de se apaixonar.

OBS.: Isto é apenas uma crônica fictícia. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.   

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