Ao Inverso



Era manhã de sábado e enquanto Andréa planejava como iria ser o dia, já foi pensando logo numa meta. Ligou para sua melhor amiga e disse “Hoje toda vez que eu quiser ligar para o Pedrinho, eu vou ligar para você tá?!”. E isso é o tipo de coisa, que uma amiga topa fazer, pois todas nós sabemos o grau de dificuldade que é cumprir essa missão.

Andréa havia terminado há duas semanas um namoro de um ano. Sabia que não dava certo, que não tinha mais jeito do romance ir para frente, mas o gostar e o costume continuavam ali. O primeiro passo do dia era levantar e faze-lo diferente. Marcou salão logo pela manhã e já foi com a ideia de revolucionar. Enquanto esperava, ligou para a amiga e bateram um papo leve. Na hora de cortar, pediu... para aparar dois dedinhos e desfiar as pontas como sempre. Gostou do corte, mas ela queria mudar, mas algo dentro de si não permitiu.

Ligou mais uma vez para a amiga e o papo foi mais curto.

Hora de ir almoçar no shopping. Foi, encontrou outras amigas, botou na cabeça que só ia almoçar e depois embora, pois não queria ter motivos para estourar o cartão esse mês. Comeram, papearam e uma amiga chamou para dar uma passadinha na loja bapho que inaugurou. Andréa sabia que o ideal seria recusar, pois se aceitasse, com certeza, não iria resistir a levar peças novas para o seu abarrotado guarda-roupa. Aceitou... e o cartão estourou.

No fim, as amigas se despediram e combinara de ir para um barzinho mais tarde, seria o ideal para se distrai, se não fosse o fato de Andréa ter uma prova para fazer na segunda. Recusou, pois sabia que deveria ir para casa estudar e reforçar o conteúdo para tirar uma nota descente.

Em casa ligou mais uma vez para sua amiga, já não tinha muito o que se falar, por isso, Andréa começou a lamentar a dificuldade que estava sendo aquela provação, mas desligou vitoriosa, pois já era praticamente um dia resistência.

Hhhhhhmmmm, ia começar a maratona da sua serie favorita. Ela ficou em casa para estudar, mas o sofá estava tão gostoso. Até que ela se levantou e... foi fazer pipoca.

Quando terminou já era madrugada e a solidão aponta o celular, o celular a leva para a agenda, que leva diretamente para o nome do ex. Ligou, ele atendeu, papearam sobre saudades, mas nada de esclarecimento sobre volta. Desligou e foi dormir com a sensação de dever cumprido.


Reflexão: O problema é a jaquice ser tão comum na sua vida, que para mudar você tem que enfiar o pé, escorregar e bater com a cabeça.

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