Série De Crônicas - Adolescente Dos Anos 2000

Sabe o que faz a gente se sentir velho? Eu diria que ver outras pessoas vivenciando o que nós já vivemos, mas em outra época e contexto, certamente é algo que nos causa no mínimo nostalgia. Então eis que nos entregamos a dizer em voz alta “No meu tempo...”, uma admissão de alma idosa, ao dizer esta frase você se entrega ao submundo da recordação antiquada. Tudo bem, admito que nem sou tão velha assim, mas já faz algum tempo que não sou mais adolescente, fato!

Eu nasci em 1990 e existe uma grande vantagem nisso, além de facilitar as contas. Significa que eu nasci no início dos anos noventa e vivi minha infância nele genuinamente. Dancei é o tchan e cantava Mamonas Assassinas inocentemente; assim como torcia para as mulheres pegarem mais sabonetes na banheira do Gugu, sendo ingenuamente sexista; tive franja; brincava com Barbies; assistia TV Cultura e Manchete; lia o menino Maluquinho e a Turma da Mônica; torcia para o time amarelo no Passa-ou-Repassa; tablete e celular eram coisas de filmes de sci-fi; brigava com os coleguinhas que preferiam Digimon; cantava: “Se teu coração teu coração tem buraquinhoooos” e amava as Chiquititas; brincava de elástico na casa das amigas; corri atrás da bola na rua e levei bronca; me chateava porque era pequena demais para jogar no Super-Nintendo, mas quando me deixavam jogar acertava todos os fatalitys na doida... Acho que já deu para entender né?! Nos anos 2000 fiz dez anos e a seguir me tornaria uma pré-adolescente, ou como diria minha mãe chegaria “na fase da besteira”. Besteira, porque somos bobos com uma maturidade latente, a qual não estamos acostumados e ainda envolvidos com algo ainda mais assustador que vem de dentro: hormônios. Sim meninas, vocês os têm e eles influenciam na sua vida mais do que imagina.

Eu fui uma típica adolescente dos anos 2000 e espero escrever um pouco das minhas experiências daquele tempo louco para vocês. Ai você pensa que quando eu digo “loucos” para ser interessante eu tive que: usar meu corpitxo igual a Bruna Surfistinha; fumar mais cachimbo que a Christiane F.; ou ter uma banda de rock de garagem que deu certo. Nada disso, eu fui virgem até os 18 e namorei por longos 7 anos; eu era uma das adolescentes mais responsáveis com bebidas, que eu conhecia (demorei anos para tomar um porre) e tive apenas a vontade frustrada de ser roqueira, que logo foi esmagada pela vontade social de sair de casa em uma cidade que só se toca forró, não existe festas de rock. Ou seja, nada de sexo, drogas e rock in roll (só um pouco, de forma bem genérica). Não fique ai me olhando com essa cara de quem está se perguntando: “mas o que teve de tão legal nessa sua adolescência?”. Teve experiências diferentes das quais eu vivo hoje, que podem ser iguais as suas, ou distintas, fato é que eu estou disposta a contá-las para que possamos rir juntos, talvez até refletir um pouco também, afinal o passado serve para isso não é?! Não vivemos de reproduzir recordações, apenas de um pouco de saudade, para lembrar que devemos continuar gerando outras experiências, outras recordações e outras saudades... Cíclico, como a vida é.

Vou ocultar os nomes em iniciais verdadeiras (ou falsas), portanto não se preocupe se você fez parte do meu passado, assumo a exposição sozinha. A má notícia é que eu me lembro de você, a boa é que eu não vou dizer quem você é.


Aaah, pode ser que eu me aproprie de outras experiências (das amigas) e aceito sugestão de temas. Ok?!


Mudamos a pauta, mas o ‘xero’ é o mesmo de sempre. Xerim!

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