Crônica: Desculpas Aos Namorados

Passou o dia dos namorados e eu nem sequer falei nada sobre o amor aqui. Nenhuma homenagem a data, nenhuma sugestão de presente ou programas a dois... nada! 

Eu não namoro mais há um tempo, na verdade poucos meses. Fato é que simplesmente, não tive saco para fingir que me interesso por um assunto, que não tem relevância na minha vida. Que matéria vazia seria a minha falando sobre o romantismo da data, se eu mesma tenho fugido do que é sentimental.

Vejam bem namorados, não tenho inveja de vocês. De alguma forma, me sinto livre na vida que nunca foi uma prisão. Faço meus programas como quero e quando quero, sozinha ou acompanhada, divertidos ou furados, gastando pouco ou me endividando... Como iria discorrer sobre planejamento a dois, sobre chegar a um acordo que também deve agradar o outro? Se relacionamento acaba por ser, nem que minimamente, uma renúncia do seu desejo completo? E isto não é uma crítica, às vezes nem tudo o que queremos é correto, às vezes alguém para partilhar as nossas aspirações, pode ser tudo o que precisamos para realizá-las. Entretanto, esta que vós escreve não pertence a um momento de repartir.

Eu sou aquela que sempre foi cuidada, mas sempre cuidou. É meu instinto, sempre fui metida nas situações cotidianas e nos dramas das pessoas, sempre dei meu pitaco sobre eles, a fim de ajudar alguém (nem sempre delicada, confesso). Sempre quis o melhor das pessoas, sempre quis agradar todo mundo. Faz parte de mim dar um presente e me sentir bem quando vejo que a pessoa gostou, que ela usa, que foi especial. Então imagina, dia dos namorados invariavelmente costumava ser uma data prazerosa. 

Esse ano ele veio no domingo, para aguçar as lamúrias das solteiras carentes. Para mim foi mais um dia, confesso que me concentrei em pedir comida e assistir o novo episódio da minha série preferida. Confesso que não foi premeditado, confesso que apenas vivi mais um domingo e até esqueci do dia do amor.

Essa coisa do reconhecimento nunca vai sair daqui, sair de mim. A diferença é que agora abriu um espaço para que eu possa me agradar e me reconhecer, que a muito tempo inexistia. Pode ser egoísmo, pode ser maturidade, pode ser uma necessidade de "foda-se". Entenda como quiser.

Como foi seu domingo?

Xerim!

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